SÉRIE OS CHAMADOS #1 – ESTER

“Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha?”

Hoje se inicia uma série de estudos sobre pessoas que foram chamadas por Deus e o que elas nos ensinam — seja em fé, superação ou nos obstáculos enfrentados.

E, por ser hoje o Dia Internacional da Mulher, vamos estudar sobre Ester, uma jovem judia órfã que, por sua coragem, salvou o povo judeu de um completo extermínio dentro do Império Persa.

A história se passa na cidade de Susã, provavelmente entre 486 e 465 a.C. Susã era uma das quatro capitais do Império Persa, que se estendia desde a Índia até a Etiópia (Et 1:1). Havia judeus vivendo nessas regiões mesmo após o decreto de Ciro, que autorizava o retorno do exílio babilônico, em 539 a.C.

Xerxes era o rei nessa época e, após a desobediência de sua esposa, a então rainha Vasti, ele determinou que ela nunca mais comparecesse à sua presença.

Diante disso, foi estabelecida uma busca em todas as províncias do império para encontrar uma jovem que ocuparia o lugar de rainha.

Ester foi uma das moças que compareceram e, assim que chegou, encontrou favor diante dos servos do rei. Ela passou por um período de preparação, com tratamentos de beleza e cuidados alimentares, para poder comparecer diante do rei quando fosse chamada. Até então, ninguém conhecia sua origem judaica.

O rei a chamou e se agradou de Ester mais do que de qualquer outra jovem (Et 2:17), e ela foi coroada rainha.

Até aqui, tudo parecia estar bem…

Porém, entra em cena um personagem: Hamã.

Hamã foi promovido pelo rei, que ordenou que todos os oficiais se curvassem diante dele. Contudo, Mardoqueu, primo e pai adotivo de Ester, não o fazia (Et 3:2). Como judeu, ele entendia que a posição de prostração era devida somente a Deus; fazê-lo diante de outro homem seria colocá-lo na mesma posição divina.

Por isso, Hamã passou a odiar os judeus e persuadiu o rei a assinar um decreto que determinava o completo extermínio do povo judeu dentro do império. Nesse decreto, estava estabelecido o dia em que todos os judeus deveriam ser mortos, o que gerou grande comoção entre eles em todo o império (Et 3:12-15).

Agora veremos a rainha Ester em ação:

Ester soube do decreto contra o seu povo. Porém, havia um impedimento: ninguém poderia entrar na presença do rei sem ser chamado, sob pena de morte (Et 4:11). A única possibilidade de sobreviver seria se o rei estendesse o cetro em direção à pessoa, sinalizando favor.

Então, Mardoqueu enviou um recado a Ester, encorajando-a. Vejamos a mensagem na íntegra:

“Quando informaram Mardoqueu da resposta de Ester, ele mandou dizer-lhe: ‘Não pense que, pelo fato de estar no palácio do rei, você será a única entre os judeus que escapará. Se você ficar calada nesta hora, socorro e livramento surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a família do seu pai morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha?’” (Et 4:12-14)

Mardoqueu mostrou a ela que o risco já existia, mas que também havia uma oportunidade única de livramento — para ela, sua família e todo o povo judeu.

Aqui vemos a primeira atitude que demonstra por que Ester foi levantada por Deus para esse tempo: ela poderia ter se desesperado ou tomado decisões precipitadas, que favoreceriam o plano maligno de Hamã. Porém, cheia de sabedoria e graça, tomou outra atitude:

“Então, Ester mandou esta resposta a Mardoqueu: ‘Vá, reúna todos os judeus que estão em Susã e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e as minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso, irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei.’” (Et 4:15-16)

Ester se preparou espiritualmente, contando com o apoio de todo o povo. Ela sabia o risco que corria e entendeu que precisava da ajuda de Deus.

Então, vestiu suas roupas reais — ou, como alguns comentaristas destacam, assumiu seu posicionamento como rainha. Ao se apresentar diante do rei, alcançou seu favor, e ele se dispôs a atender seu pedido.

Mais uma vez, Ester demonstra inteligência emocional, autocontrole e sabedoria: ela convida o rei para dois banquetes antes de revelar sua petição.

No segundo banquete, na presença de Hamã, Ester expõe seu pedido, e o rei concede aos judeus o direito de se defenderem. No dia determinado, o povo judeu saiu vitorioso.

Ester nos ensina que um chamado de Deus não nos custa muito — ele nos custa tudo. Esse livro é conhecido como o livro da providência de Deus, e é exatamente isso que vemos: mais uma vez, o povo judeu foi salvo de seus inimigos.

O livramento veio por meio de uma mulher cheia de obediência, temor a Deus, graça e fidelidade. Ester é um dos grandes exemplos de como Deus usou mulheres naquele tempo — e continua usando hoje — para transformar decretos de morte, luto e derrota em cenários de vitória e salvação.

Que, em nossa sociedade, em todas as esferas, Deus encontre mulheres corajosas e dispostas a se revestir do Seu propósito e defender o Seu povo, até que o Senhor venha!

Características de um chamado por Deus, aprendidas com Ester:

A posição que Deus nos concede na sociedade pode significar livramento para o Seu povo.

Deus chama os improváveis.

Sabedoria.

Submissão a Deus.

Prática de disciplinas espirituais.

Obediência a Deus e às autoridades.

Inteligência emocional.

Coragem.

Consciência de missão e propósito.

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